A
delegada da Polícia Civil do Pará Maria Virgínia Grimwood Pinto é
suspeita de receber uma transferência via Pix de R$ 50 mil de Renato
Henrique do Carmo, conhecido como “Gordão”, apontado pela Polícia
Civil de Pernambuco como uma das lideranças do Primeiro Comando da Capital
(PCC). Segundo os investigadores, a policial também teria repassado informações
sigilosas sobre possíveis investigações contra o suspeito e outros integrantes
da organização criminosa.
Maria
Virgínia foi presa na última quinta-feira (15), em um hotel de Brasília,
durante a Operação Sinalagma, conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco com
apoio de outras forças de segurança. A investigação apura suspeitas de
corrupção, violação de sigilo funcional e colaboração de agentes públicos com o
crime organizado.
De
acordo com o delegado Ney Luiz, titular do Departamento de Repressão ao
Narcotráfico (Denarc) de Pernambuco, conversas analisadas pelos investigadores
indicariam que a delegada consultava sistemas policiais para verificar a
existência de procedimentos contra “Gordão”. Ela também teria compartilhado
informações sobre possíveis ações envolvendo o suspeito e integrantes do PCC.
Investigação apura relação entre delegada e suspeito
As
autoridades também investigam a relação entre Maria Virgínia e Renato Henrique
do Carmo. Segundo o delegado Ney Luiz, o suspeito teria custeado viagens da
policial a Pernambuco, incluindo destinos turísticos como Porto de Galinhas e
Serrambi.
A
apuração indica que a ligação entre os dois pode ter começado em 2024, no Pará,
quando “Gordão” foi conduzido a uma delegacia após um episódio envolvendo uma
suposta colisão de veículos e uma discussão. Ele acabou liberado, apesar de
estar com documento falso, conforme as informações divulgadas pela polícia.
Os
investigadores suspeitam que a liberação tenha ocorrido mediante pagamento a
integrantes da equipe policial. A hipótese faz parte das apurações e ainda
depende do avanço das investigações.
Operação bloqueia quase R$ 15 milhões
Deflagrada
em 15 de outubro, a Operação Sinalagma cumpriu três mandados de prisão
temporária e 11 mandados de busca e apreensão nos estados de Pernambuco, Pará e
São Paulo. A investigação apura a atuação de uma organização criminosa suspeita
de envolvimento em tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, ocultação de
patrimônio e cooptação de agentes públicos.
Durante
a operação, “Gordão” também foi preso no Recife. Segundo a Polícia Civil, ele
teria atuação criminosa em Pernambuco e exerceria papel de liderança em
atividades relacionadas ao tráfico no Pará, Amazonas e Acre.
As
autoridades identificaram movimentações financeiras estimadas em cerca de R$ 14
milhões. A Justiça determinou o bloqueio de bens móveis, imóveis e ativos
financeiros de investigados, até o limite de R$ 14,95 milhões.
Durante
as buscas, foram apreendidos celulares, relógios e joias. Três relógios foram
avaliados preliminarmente entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, a depender da
confirmação de autenticidade. Uma joia foi estimada entre R$ 20 mil e R$ 30
mil.
Polícia Civil do Pará prevê análise disciplinar
A
Polícia Civil do Pará informou que prestou apoio operacional ao cumprimento das
diligências e confirmou que uma integrante da corporação está entre os alvos da
operação. A instituição afirmou que, após a conclusão dos procedimentos, os
autos serão encaminhados à Corregedoria-Geral para análise e adoção das medidas
cabíveis, respeitando o devido processo legal.
A
investigação continua com a análise do material apreendido e a apuração da
possível participação de outros agentes públicos. Até o momento, as suspeitas
contra a delegada são objeto de investigação e não representam uma condenação
definitiva.
Fonte:
Folha do Estado