Santa Casa de Sobral realiza captação de coração e múltiplos órgãos e reforça importância da autorização familiar

Uma decisão tomada em meio à dor pode transformar vidas. A autorização de uma família possibilitou a captação de coração na Santa Casa de Misericórdia de Sobral, além de fígado, rins e córneas. Os órgãos e tecidos poderão beneficiar até seis pessoas que aguardam por transplante.

Esta foi a quarta captação de coração realizada pela instituição em 2026, reforçando o compromisso da Santa Casa com a política de doação de órgãos e tecidos. O hospital contabiliza, até o momento, doações de 11 pares de rins, nove fígados e quatro captações de córneas. Referência no interior do Ceará, o hospital tem papel importante no processo de captação para transplantes, especialmente em razão do atendimento a pacientes vítimas de trauma e com condições neurológicas graves.

A autorização familiar é indispensável para a doação de órgãos no Brasil. Por isso, o diálogo sobre o desejo de ser doador é fundamental: comunicar essa decisão aos familiares pode ajudar a esclarecer a vontade da pessoa no momento em que a autorização for necessária.

A equipe da Organização de Procura de Órgãos (OPO) da Santa Casa atua em diferentes etapas desse processo, desde a identificação de potenciais doadores até o acolhimento humanizado às famílias. O trabalho envolve profissionais de diferentes áreas e é fundamental para viabilizar as doações, respeitando os protocolos médicos e a decisão dos familiares.

O coordenador médico da OPO da Santa Casa, Leonardo Azevedo, destaca que a doação de órgãos pode representar uma oportunidade de vida para pacientes que aguardam por um transplante. Ele explica que, mesmo com todos os recursos terapêuticos disponíveis, algumas condições clínicas podem evoluir para a morte encefálica, diagnóstico que exige investigação criteriosa e o cumprimento de protocolos específicos.

“A Santa Casa trabalha permanentemente para oferecer a melhor assistência aos pacientes vítimas de trauma ou acometidos por outras doenças graves. Entretanto, em determinadas situações, a gravidade das lesões pode resultar em uma condição cerebral irreversível, mesmo diante de todos os recursos terapêuticos disponíveis. Nesses casos, as equipes iniciam uma investigação criteriosa para avaliar a atividade cerebral, conforme os protocolos estabelecidos para o diagnóstico de morte encefálica. Quando esse diagnóstico é confirmado, a doação de órgãos representa a possibilidade de transformar uma perda em esperança, beneficiando pacientes que aguardam um transplante para recuperar a saúde e a qualidade de vida”, afirma.

A cirurgiã da equipe de captação do Hospital Universitário do Ceará (HUC), Ingrid Sousa Barros, destaca a contribuição dos hospitais do interior para ampliar as possibilidades de transplante no estado. “Nos últimos anos, tanto a Santa Casa quanto outros hospitais do interior têm aumentado significativamente o número de captações. Isso contribui muito para os pacientes que estão em Fortaleza e também para aqueles que vêm do interior para realizar o transplante”, explica.

A médica também ressalta a importância da identificação dos potenciais doadores, do diálogo entre as equipes de saúde e da conscientização da população sobre a doação de órgãos. “Todo o trabalho de identificação dos potenciais doadores, de diálogo com as famílias e com os médicos assistentes é fundamental. Além disso, as campanhas nos meios de comunicação, na televisão e nas redes sociais são muito importantes, porque muitas pessoas ainda desconhecem essa possibilidade. Divulgar a doação de órgãos é essencial. Doar órgãos é salvar vidas”, afirma.

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