O Sindicato dos Médicos do Ceará intensificou a cobrança
junto a prefeituras do interior do Estado após receber denúncias recorrentes de
atrasos no pagamento de profissionais da rede pública de saúde. Nos últimos
dias, a entidade encaminhou ofícios e solicitações formais a secretarias
municipais, pedindo esclarecimentos e a adoção de medidas para regularizar os
repasses.
As reclamações envolvem os municípios de Varjota,
Frecheirinha, Acopiara e Aracoiaba. De acordo com os relatos, há desde atrasos
recentes até débitos acumulados de anos anteriores, atingindo médicos que atuam
em plantões hospitalares e na Atenção Primária à Saúde.
Em Varjota, os atrasos se referem aos meses de fevereiro e
março de 2026. Em resposta ao Sindicato, a Secretaria Municipal de Saúde
informou que o problema está relacionado a repasses do Ministério da Saúde
ainda não efetivados, com previsão de regularização até o fim de abril.
Situação semelhante foi registrada em Frecheirinha, onde
médicos que atuam no Hospital Menino Jesus de Praga relatam atraso referente ao
mesmo período. Até o momento, não foi divulgado cronograma oficial para
pagamento.
Em Acopiara, os relatos indicam um cenário mais grave, com
pendências relativas aos meses de outubro e dezembro de 2023. Os débitos
envolvem profissionais da Estratégia Saúde da Família (PSF) e plantonistas
hospitalares. O Sindicato solicitou reunião com a gestão municipal para tratar
da negociação dos valores em aberto e cobrou a apresentação de documentação que
comprove a regularização ou justifique os atrasos.
Já em Aracoiaba, além do atraso referente à competência de
março de 2026, foram apontadas irregularidades estruturais nas unidades de
saúde, como a ausência de Direção Clínica no Hospital Municipal e na Unidade de
Pronto Atendimento (UPA), em desacordo com normas do Conselho Federal de
Medicina, e a indisponibilidade do sistema FASTMEDIC, utilizado para registro e
acompanhamento dos atendimentos.
“Os atrasos salariais e as falhas administrativas impactam
diretamente a continuidade da assistência, sobrecarregam os profissionais e
podem comprometer a segurança dos pacientes”, pontua o presidente do Sindicato
dos Médicos do Ceará, Dr. Edmar Fernandes.
A entidade afirma que segue acompanhando os casos e mantém
diálogo com as gestões municipais, cobrando a regularização dos débitos e maior
previsibilidade nos pagamentos. O espaço permanece aberto para manifestação das
prefeituras citadas.
