MP aplica multa de mais de R$ 2 milhões à Hapvida por negligência no atendimento a pessoas com TEA

O Ministério Público do Ceará (MPCE) aplicou uma multa de mais de R$ 2 milhões à Hapvida de Fortaleza após consumidores relatarem negativa de cobertura assistencial a crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Conforme a 132ª Promotoria de Justiça de Fortaleza, as reclamações destacam problemas como recusa ou retardo injustificado para o início de terapias essenciais, espera de até um ano por atendimento com profissionais especializados e inexistência de profissionais especializados credenciados.

De acordo com o MP cearense, a operadora foi notificada, mas não apresentou defesa ou plano de ação imediato para solucionar os casos que foram objeto de reclamação, o que motivou a aplicação de multa no valor de R$ 2.040.785,28.

A empresa ainda tem o direito de interpor recurso administrativo na Junta Recursal do Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Jurdecon). Ao Opinião CE, a Hapvida afirmou que mantém diálogo com os órgãos públicos e que “prestará todos os esclarecimentos” solicitados sobre os serviços fornecidos informou que vai apresentar recurso. A operadora também destacou que vai apresentar recurso.

A sanção foi fundamentada em irregularidades que violam a Lei dos Planos de Saúde e as resoluções da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), como recusa de atendimento, demora para autorizar o início das terapias multidisciplinares, além de limitação de sessões das terapias prescritas pelo médico assistente do beneficiário.

A promotora de Justiça Ana Beatriz Lima afirmou que, por “falha na prestação do serviço” e “prática abusiva”, viola direitos básicos assegurados pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC).

“O padrão reiterado de indisponibilidade de vagas, recusa de inserção em modalidade terapêutica anunciada, atrasos incompatíveis com a urgência clínica e oferta de atendimento em localidade diversa que inviabiliza a continuidade do cuidado frustra a legítima expectativa do consumidor”, disse.

Para a Promotoria, a gravidade da conduta e o alcance coletivo do dano, somados à reincidência da operadora e à ausência de plano de ação imediato para solucionar o problema, justificam o valor da multa.

Confira a nota da Hapvida, na íntegra

A operadora reafirma seu compromisso com a qualidade da assistência para os seus beneficiários e atua em conformidade com as diretrizes estabelecidas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A empresa informa que o processo administrativo está em curso, e que apresentará recurso no prazo legal. Ressalta que mantém diálogo com os órgãos públicos e prestará todos os esclarecimentos solicitados sobre o serviço fornecido, sempre com foco no cuidado e atenção ao seu beneficiário.

Foto: Reprodução/Google Street View

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