Apesar dos estigmas ainda associados ao HIV,
a ciência comprova que, com o tratamento adequado, é possível conviver com o
vírus com qualidade de vida — e até impedir sua transmissão. Um exemplo disso é
a história de uma cearense que descobriu ser portadora do HIV durante a
gravidez e, com acompanhamento médico, teve um bebê completamente saudável e
livre da infecção.
A mulher, que preferiu não se identificar,
contou que recebeu o diagnóstico aos 36 anos, durante o pré-natal.
Imediatamente, ela foi encaminhada ao Hospital
São José de Doenças Infecciosas (HSJ), referência no tratamento
de HIV no estado, onde iniciou o tratamento com antirretrovirais.
Graças à adesão ao tratamento, ela manteve a carga viral indetectável
durante toda a gestação — ou seja, a quantidade de vírus
no sangue ficou tão baixa que não pode ser detectada nos exames. Isso reduz
drasticamente o risco de transmissão para o bebê.
O filho nasceu sem o vírus. E mesmo com a
carga viral indetectável, a mãe seguiu as recomendações médicas e não o amamentou,
já que o HIV pode ser transmitido pelo leite materno. “Hoje, meu filho já tem
três anos, está lindo, saudável e muito amado”, disse ela.
Transmissão vertical
pode ser evitada com tratamento precoce
A infectologista pediatra Gláucia Ferreira,
do Hospital São José, reforça que mães com HIV podem, sim, ter filhos saudáveis
— especialmente quando o diagnóstico é feito precocemente.
“Quando a mãe inicia o tratamento na primeira
metade da gestação, mantém boa adesão e tem carga viral indetectável a partir
da 28ª semana, o risco de transmissão para a criança é considerado muito
baixo”, explica.
Segundo a médica, o maior risco de transmissão
vertical (da mãe para o bebê) ocorre no momento do parto, sendo
responsável por cerca de 65%
dos casos. No entanto, com os protocolos adequados, esse risco praticamente desaparece.
A criança
também deve iniciar o uso de antirretrovirais logo após o nascimento,
preferencialmente nas primeiras quatro horas de vida. Dependendo da avaliação
médica, o bebê pode precisar tomar uma ou até três medicações por 28 dias.
Após esse período, são feitos exames de
monitoramento. Se não houver detecção do vírus, a criança segue sendo
acompanhada até o teste definitivo de HIV, geralmente realizado aos 12 meses.
Se o resultado for não reagente, a infecção é descartada.
