A Polícia
Federal (PF) apreendeu uma série de obras de arte, uma Ferrari e até a réplica
de um carro de Fórmula 1 durante as ações no âmbito da Operação Cambota,
deflagrada na manhã desta sexta-feira (12/9), em um desdobramento das
investigações da “Farra do INSS”, revelada pelo Metrópoles.
Como mostrou a
coluna, os agentes prenderam, em Brasília, Antonio Carlos Camilo Antunes,
conhecido como Careca do INSS e apontado pelas investigações como um dos
principais operadores do esquema de fraudes.
Também foi
preso, mas em São Paulo, o empresário Maurício Camisotti, igualmente suspeito
de fazer parte do esquema de descontos indevidos de aposentados e pensionistas
do INSS.
Além dos dois
mandados de prisão, a PF cumpre 13 mandados de busca e apreensão, autorizados
pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Um dos alvos foi o advogado Nelson
Wilians.
Ferrari, na cor
vermelha, foi apreendida com Fernando dos Santos Andrade Cavalcanti, ex-sócio
do advogado.
O escândalo do
INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a
partir de dezembro de 2023. Três meses depois, o portal mostrou que a
arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia
disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações
respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.
A nova ação
apura os crimes de impedimento ou embaraço de investigação de organização
criminosa, dilapidação e ocultação de patrimônio, além da possível obstrução da
investigação por parte de alguns investigados.
Defesa
Em nota, Nelson
Wilians afirmou que tem colaborado integralmente com as autoridades e que
“confia que a apuração demonstrará sua total inocência”. Também disse que a
ligação entre ele e um dos investigados s restringe à relação profissional.
“Nelson Wilians
já afirmou, anteriormente, que sua relação com um dos investigados — seu
cliente na área jurídica — é estritamente profissional e legal, o que será
comprovado de forma cabal. Os valores por ele transferidos referem-se à
aquisição de um terreno vizinho à sua residência, transação lícita e de fácil
comprovação”, afirma.
“Ressaltamos que
a medida cumprida é de natureza exclusivamente investigativa, não implicando
qualquer juízo de culpa ou responsabilidade. O advogado permanece à disposição
para prestar todos os esclarecimentos necessários e reafirma seu compromisso
com a legalidade e a transparência”, escreveu.
Já a defesa do
empresário Maurício Camisotti afirma que não há qualquer motivo que justifique
sua prisão no âmbito da operação que apura fraudes no INSS e aponta para uma
“arbitrariedade” supostamente cometida durante a ação policial.
Segundo os
advogados, Camisotti teve seu celular retirado das mãos no exato momento em que
falava com seu advogado. “Tal conduta afronta garantias constitucionais básicas
e equivale a constranger um investigado a falar ou produzir prova contra si
próprio”, afirma a defesa.
“A defesa
reitera que adotará todas as medidas legais cabíveis para reverter a prisão e
assegurar o pleno respeito aos direitos e garantias fundamentais do
empresário”, conclui a nota.
(Metrópoles)





