Dois anos após a epidemia que levou todo o País a quase 6
milhões de casos de dengue, o Ceará enfrenta uma nova alta de casos. Nas
primeiras 40 semanas epidemiológicas de 2026 (4/1 a 10/10), o Estado soma 15,4
mil confirmações da doença, quase quatro vezes mais que o mesmo período de
2025, quando foram registradas 4,3 mil infecções.
O período de maior atividade do vírus este ano foi entre o
início de maio, quando o número de casos semanais saltou de 279 para 408, e a
metade de julho, quando atingiu o pico de 1.022 casos em apenas sete dias.
De acordo com a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), a alta
foi motivada por diferentes fatores, dos quais pode-se destacar o período de
chuvas do Estado, que ocorre entre fevereiro e maio, e a alta circulação da
doença nas regiões Norte, Sul e Litoral Leste do Ceará.
“Esse período coincidiu com a continuidade das chuvas e com
a maior circulação do vírus em municípios das regiões Norte, Sul e Litoral
Leste. Esses fatores combinados explicam o crescimento observado”, explica a
coordenadora de Vigilância Epidemiológica da Sesa, Ana Cabral.
O presidente da Sociedade Cearense de Infectologia (SCI)
Luan Victor, explica que essa queda é em grande parte causada pela menor
quantidade de chuvas no segundo semestre cearense.
Com escassez de precipitações, as ruas e casas das cidades
passam a ofertar menos pontos de água parada, local perfeito para a criação de
focos do mosquito.
“São dois motivos. Um a gente sai daquele período de chuvas
importantes no Estado para um momento mais seco, onde não vemos tantas chuvas.
E o outro sempre que a gente um pico de novos casos, depois notamos a redução
dos números. É bimodal também isso”, pontua o infectologista.
