A política adotada pelo Ministério da Educação (MEC) para
restringir o uso de celulares no ambiente escolar começa a alcançar também o
ensino superior privado. A iniciativa integra as diretrizes da gestão do
ministro da Educação, Camilo Santana, e já produz reflexos fora da educação
básica.
O Insper, instituição privada reconhecida nacionalmente
pelos cursos de Administração e Economia, anunciou que não permitirá mais o uso
de celulares em salas de aula da graduação a partir da próxima semana, com o
fim do período de férias. A decisão foi comunicada aos cerca de 4 mil
estudantes da instituição.
PROIBIÇÃO
Em e-mail enviado aos alunos, a faculdade informou que
“fica proibido o uso de celulares e outros dispositivos eletrônicos em sala de
aula, exceto quando seu uso estiver diretamente relacionado à aprendizagem ou à
gestão da aula, conforme critérios definidos pelo docente responsável pela
disciplina”.
A restrição não se aplica às turmas de pós-graduação.
Segundo o presidente do Insper, Guilherme Martins, a medida é respaldada por
pesquisas que apontam a distração causada pelos smartphones e seus impactos
negativos na aprendizagem.
A decisão também foi impulsionada pela lei federal aprovada
em 2025, que proibiu o uso de celulares na educação básica em todo o País,
embora a norma não inclua o ensino superior.
BOA INICIATIVA
Uma pesquisa realizada em 2024 por universidades da
Pensilvânia (EUA) e de Copenhague mostrou que a retirada dos celulares em sala
resultou em melhora no desempenho acadêmico, especialmente entre alunos com
baixo rendimento, calouros e estudantes de áreas fora do eixo STEM.
No caso do Insper, não haverá recolhimento obrigatório dos
aparelhos nem punição formal para quem descumprir a regra. A orientação é que o
professor adote postura semelhante à usada quando um aluno atrapalha a aula.
Docentes da instituição vinham cobrando uma norma institucional que desse
respaldo para conter o uso excessivo dos aparelhos.
Apesar da restrição, celulares, tablets e laptops
continuarão liberados para atividades pedagógicas, conforme orientação do
professor. A instituição destaca que a tecnologia seguirá integrada ao ensino,
inclusive para controle de presença e dinâmicas em sala.
Para Guilherme Martins, a medida também prepara os alunos
para o mercado de trabalho. “Queremos formar profissionais presentes e
participativos. No ambiente profissional, o uso constante do celular durante
reuniões compromete a postura e a carreira”, afirmou.
