Governo recorre ao TCU para tentar liberar consignado a segurados do INSS

O governo federal recorreu nesta terça-feira (6) à decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) que determinou a suspensão imediata do crédito consignado para aposentados e pensionistas do INSS. A suspensão havia sido aprovada pelo plenário do TCU na última quarta-feira.

Com a demora na apresentação do recurso, os beneficiários do INSS podem ser prejudicados. Técnicos do TCU informam que a contestação ainda não foi incorporada ao processo. Após ser anexada, uma peça será comprovada pela área técnica do Tribunal e sorteada para um ministro relator. So então o pedido será levado ao plenário.

No recurso, o governo destacou que o crédito consignado "opera em volumes vultuosos de transações diárias" envolvendo mais de 50 bancos credenciados.

Segundo o Executivo, "o consignado representa, na prática, a principal forma de acesso ao crédito formal a taxas moderadas".

O governo argumentou ainda que existem 65,5 milhões de contratos ativos, envolvendo cerca de 16 milhões de segurados, o que movimenta um total de R$ 84 bilhões. Esses números, segundo o recurso, evidenciam a ampla utilização da modalidade e sua importância para o orçamento das familias, especialmente de baixa renda, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade económica.

O recurso ressalta que a interrupção ampla e imediata do consignado, determinada pela medida cautelosa, traz impactos sociais e econômicos relevantes, pois "acaba por empréstimos garantidos para alternativas de crédito mais onerosas, informalidade ou superendividamento, além de reduzir a circulação de recursos em setores sensíveis da economia".

A decisão do TCU afetou não apenas empréstimos consignados, mas também cartões de crédito e de beneficios consignados. O Novo Desenrola, lançado oficialmente pelo governo nesta semana, altera as regras do consignado, ampliando a margem do empréstimo de 35% para 40% e o prazo de pagamento de 96 para 108 meses, além de extinguir o uso dos cartões consignados.

A Medida Provisória que institui o programa prevê que uma margem de 40% será reduzida gradualmente para 30%, o que, segundo o governo, contribuirá para a redução da divisão dos segurados.

O Executivo também alegou que a maioria das medidas sugeridas pelo TCU para evitar fraudes já foi rompida, como o bloqueio automático do consignado, exigência de desbloqueio com biometria pelo próprio segurado, extinção de representante legal, bloqueio de operações para falecidos e menores de idade, e proibição de venda casada, como seguros.

A decisão do TCU foi baseada em auditorías que tratam de diversas irregularidades na concessão do crédito consignado.

(Agencia O Globo)

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