Jumentos,
asnos ou jegues: os animais que, no Brasil, recebem
diferentes denominações, são parte importante das economias e culturas
regionais. Nesta sexta-feira (8 de maio), data em que é comemorado o Dia
Mundial do Jumento, vale lembrar que esses asininos estão presentes em
diversas partes do mundo, da Europa ao Tibete, passando pela América Latina.
Mesmo
espalhados por diferentes regiões do planeta, todos têm origem em uma mesma
linhagem: a do asno silvestre africano. Diversas raças estão presentes
no Brasil, desde o jumento pêga, originário de Minas Gerais, até o
tradicional jegue nordestino.
Na
cultura popular, o jegue ganha destaque em muitos locais do Nordeste. A cidade
de Santana do Ipanema (AL), por exemplo, possui uma estátua do animal em
praça pública. Já em Sobral, no Ceará, é realizado todos os meses de
agosto um concurso para eleger o jumento mais enfeitado da região,
encerrando a programação da Festa de Nossa Senhora da Saúde.
Por
outro lado, o nome do animal ainda é utilizado popularmente como insulto à
inteligência. Segundo o veterinário especializado em animais de grande porte, Álvaro
Mendes, essa associação é uma grande injustiça.
“Em
termos de aprendizado, capacidade cognitiva, facilidade para treinamento e
trabalho, os jumentos são muito superiores aos cavalos. Eles são capazes de
coisas incríveis”, afirma.
Animais
enfrentam abandono e abate
Tradicionalmente,
o jumento é utilizado como meio de transporte de pessoas e cargas, além
de auxiliar em trabalhos no campo. No entanto, o avanço dos maquinários
agrícolas e o uso crescente de motocicletas acabaram colocando os asnos em
segundo plano.
“É
cada vez mais comum vermos jumentos abandonados às margens das estradas. Além
disso, muitos acabam sendo vendidos para empresas, já que, para pessoas em
situação econômica difícil, a venda do animal se torna uma alternativa
financeira”, explica Álvaro Mendes.
O
comércio de jumentos para abate é impulsionado principalmente pela demanda da China.
Na medicina tradicional chinesa, a pele do animal é utilizada na produção do ejiao,
uma gelatina que, segundo a tradição, possui propriedades benéficas para a
saúde e para a preservação da juventude.
“A
China começou a buscar jumentos em outros países, e o abate acontece tanto de
forma legal quanto informal”, observa o veterinário.
Em
2021, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que,
em média, 6 mil jumentos eram abatidos por mês no Brasil, principalmente
para a produção do ejiao.
Segundo
o Censo Agropecuário do IBGE, em 2017 havia cerca de 376 mil asininos
no país. Ainda de acordo com o especialista, pode existir subnotificação desses
números, já que muitos casos de abate informal não entram nas estatísticas
oficiais.
Projeto
de lei busca proibir abate
O
Projeto de Lei nº 2019/73 tramita na Câmara dos Deputados desde 2022 com
o objetivo de proibir o abate de asnos e cavalos, exceto em casos de
enfermidade. Em novembro de 2023, a proposta foi aprovada pela Comissão de
Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e aguarda análise da Comissão
de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).
O
transporte dos animais para o abate também preocupa especialistas. Apesar de
serem considerados resistentes, os asnos exigem cuidados específicos. Um dos
principais riscos é o mormo, doença que demanda diagnóstico rigoroso,
abate de animais contaminados e fiscalização no transporte.
“A
cultura popular vê os asnos como extremamente resistentes, mas isso não
significa que estejam livres de doenças. Eles realmente necessitam de menos
alimento e possuem grande capacidade para o trabalho, porém continuam
suscetíveis a enfermidades”, conclui Álvaro Mendes.
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| Foto: GettyImages |
