Se você já teve a impressão de que o chocolate "não é
mais o mesmo", saiba que isso tem explicação. Nos últimos anos, a
indústria alimentícia passou a reduzir a quantidade de cacau nas receitas e a
substituir a manteiga de cacau por gorduras vegetais mais baratas, como óleo de
palma e soja.
O resultado dessas mudanças é percebido no sabor e na
textura. Muitos produtos apresentam menor derretimento na boca e uma sensação
mais oleosa, diferente do chocolate tradicional.
A principal razão para essa transformação é econômica. O
preço do cacau disparou no mercado internacional e chegou perto de US$ 13 mil
por tonelada em 2024, após problemas nas safras em países africanos, que
concentram grande parte da produção mundial. Com a oferta limitada, as empresas
passaram a adaptar as fórmulas para reduzir custos e manter a lucratividade.
Na prática, isso significa que produtos vendidos lado a
lado nas prateleiras podem ter composições muito diferentes. Atualmente, o teor
de cacau pode variar de cerca de 16% a 70%, dependendo da marca e do tipo de
chocolate.
Mesmo com a redução na qualidade percebida, os preços
continuam em alta. Nos últimos 12 meses, chocolates como barras e bombons
ficaram, em média, 26% mais caros-bem acima da inflação geral, que gira em
torno de 4%.
Diante desse cenário, o tema ganhou destaque no Congresso
Nacional. A Câmara dos Deputados aprovou recentemente um projeto de lei que
estabelece quantidades mínimas de cacau nos produtos. O texto determina, por
exemplo, pelo menos 35% de cacau no chamado "chocolate intenso" e 25%
no chocolate ao leite.
A proposta também define regras para outros tipos, como
chocolate em pó e chocolate branco, além de exigir mais clareza nas informações
presentes nas embalagens. O objetivo é garantir maior transparência ao
consumidor, valorizar o cacau nacional e aproximar o Brasil dos padrões
internacionais de qualidade.
O projeto ainda precisa passar por nova análise no Senado
antes de entrar em vigor.
Enquanto isso, a expectativa para a Páscoa é de aumento no
consumo. A previsão é que os brasileiros gastem cerca de 10% a mais neste ano,
embora isso não signifique, necessariamente, levar produtos de melhor qualidade
para casa.
