O aumento dos custos provocado pelos conflitos envolvendo o
Irã já começa a pressionar a cadeia de produção de ovos, frango e carne suína
no Brasil. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o cenário
pode resultar em reajustes ao consumidor no curto prazo. De acordo com a
entidade, a alta do diesel tem impactado diretamente o transporte, com elevação
de até 20% nos fretes rodoviários, desde o deslocamento de insumos até a
distribuição final dos produtos.
Outro fator de pressão vem das embalagens plásticas, que
dependem de derivados do petróleo e enfrentam encarecimento em meio às
dificuldades logísticas em rotas estratégicas internacionais. “Frente a este
quadro, é possível que ocorram nos próximos dias repasses aos preços para o
consumidor tanto de ovos, como de carne de frango e carne suína”, afirmou a
associação.
O movimento ocorre em um contexto de demanda aquecida por
proteínas no país. O consumo de ovos, por exemplo, tem crescido de forma
consistente e atingiu média de 287 unidades por habitante em 2025, refletindo
mudanças no padrão alimentar e maior busca por fontes acessíveis de proteína.
Apesar disso, os preços vinham em trajetória de queda no
acumulado de 12 meses. Ainda assim, dados mais recentes já indicam pressão
pontual. Em fevereiro, houve alta mensal, influenciada principalmente pelo
aumento do consumo durante a Quaresma, período em que parte da população reduz
a ingestão de carne vermelha.
“Além do consumo direto, também se faz mais produtos à base
de ovos, como massas, bolos e sobremesas”, explicou o pesquisador Elsio
Figueiredo, da Embrapa, ao comentar o impacto sazonal sobre a demanda. A
entrevista foi dada ao jornal Folha de S. Paulo.
A pressão sobre os custos não se limita ao setor de
alimentos. O encarecimento de combustíveis e derivados do petróleo pode atingir
diversas cadeias produtivas, ampliando os efeitos da instabilidade
internacional sobre a economia doméstica.
Mesmo com algumas proteínas ainda registrando recuos
recentes nos preços, a avaliação do setor é de que o cenário tende a se
deteriorar. Caso os custos sigam em alta, novos reajustes ao consumidor não
estão descartados no curto prazo.
