O
plano elaborado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra o
tarifaço promovido pelo presidente norte-americano, Donald Trump, pode causar
efeitos adversos na economia se for mantido a longo prazo. Essa é a avaliação
do economista João Gabriel Araújo, professor de Economia do Ibmec Brasília.
Segundo o especialista, caso o plano não seja tido como ação pontual e
emergencial, haverá efeitos sobre a inflação, oscilações na taxa básica de
juros, endividamento excessivo das empresas e aumento do desemprego.
O
plano tem como objetivo central minimizar os efeitos do tarifaço sobre as
empresas brasileiras e os empregos que elas sustentam. Para isso, foram
anunciadas ações em duas frentes. A primeira prevê uma linha de crédito de R$
30 bilhões para garantir a continuidade das atividades empresariais. Um
diferencial dessa medida é a prorrogação da cobrança de tributos federais, o
que deve facilitar o acesso ao crédito, sobretudo para micro e pequenas
empresas.
Como
contrapartida, as empresas contempladas deverão manter seus quadros de
funcionários, com fiscalização da Câmara Nacional de Acompanhamento do Emprego.
Essas
medidas, de acordo com o especialista, buscam preservar um certo equilíbrio
econômico no país enquanto avançam as negociações internacionais, voltadas à
abertura de novos mercados e ao diálogo diplomático com os Estados Unidos — o
segundo maior parceiro comercial brasileiro, atrás apenas da China.
Curto
prazo
Araújo
pontua, no entanto, que a medida deve ser adotada apenas como solução de curto
prazo. “Trata-se de uma ação emergencial para resolver o problema de forma
pontual. Caso seja prolongada, há riscos de endividamento das empresas,
especialmente em relação ao crédito, o que pode gerar dificuldades futuras para
o emprego e a sustentabilidade econômica das empresas envolvidas”, destaca.
“Planos
de contingência devem ser implementados de maneira pontual e não mantidos por
períodos excessivos, tendo como objetivo principal o avanço das negociações
diplomáticas e a diversificação dos destinos das exportações nacionais,
evitando assim a dependência de um ou dois países.”
Postura
de Lula
Na
avaliação do economista, o plano mostra que o governo Lula tem buscado medidas
estratégicas, mas é urgente uma ação diplomática direta entre Brasil e Estados
Unidos.
“O
governo busca alternativas diplomáticas, aproximando-se dos países do BRICS+ e
tentando mitigar os efeitos da guerra comercial entre Estados Unidos e China. O
Brasil está na linha de frente, sendo alvo de medidas econômicas que envolvem
questões internas, como decisões do judiciário brasileiro, além de intervenções
dos EUA relacionadas à guerra entre Ucrânia e Rússia — especialmente quanto às
ameaças do governo Trump aos países que comercializam com a Rússia, como o
Brasil, que depende do diesel e dos fertilizantes russos”, ressalta Araújo.
(Portal
Leo Dias)
