Uma simples
xícara de café pode não ser tão inofensiva quando combinada com antibióticos.
Pesquisadores alemães identificaram que a cafeína pode diminuir a absorção de
alguns medicamentos por bactérias como a Escherichia coli, um efeito que pode
interferir na ação de antibióticos.
No trabalho,
publicado em 22 de julho na revista PLOS Biology, os cientistas analisaram como
94 substâncias químicas diferentes afetavam o funcionamento da E. coli,
especialmente os sistemas que controlam o que entra e sai das células
bacterianas.
Entre todas as
substâncias testadas, a cafeína se destacou ao reduzir a captação de
antibióticos, incluindo a ciprofloxacina.
“Nossos dados
mostram que diversas substâncias podem influenciar sutil, mas sistematicamente,
a regulação genética em bactérias”, diz o microbiologista Christoph Binsfeld,
da Universidade de Würzburg, na Alemanha, em comunicado.
Mecanismo observado em laboratório
A pesquisa faz
parte de um esforço para compreender a chamada resistência de baixo nível a
antibióticos. Diferente da resistência completa, em que as bactérias se tornam
imunes a um medicamento, esse fenômeno envolve mudanças discretas no
funcionamento dos genes e na resposta das células ao ambiente.
A equipe
descobriu que uma proteína chamada Rob tem papel central nesse processo. Ao ser
ativada pela cafeína, ela desencadeia uma cascata de alterações que culminam na
redução da absorção de antibióticos.
“Esse
mecanismo afeta diretamente proteínas de transporte na E. coli, limitando a
ação do tratamento”, explica a engenheira biológica Ana Rita Brochado, da
Universidade de Tübingen.
Efeitos em humanos ainda não estão claros
Os
pesquisadores destacam que os experimentos foram conduzidos apenas em
laboratório. Ainda não se sabe se os mesmos efeitos ocorreriam em seres humanos
ou qual quantidade de café seria necessária para provocar alterações
perceptíveis.
Além disso, o
fenômeno não foi observado em outras bactérias, como a Salmonella enterica, o
que indica que a resposta pode variar de acordo com a espécie.
Apesar das
incertezas, os especialistas defendem que entender melhor esse tipo de
resistência é essencial para aumentar a eficácia dos antibióticos. O próximo
passo é mapear de forma mais detalhada os mecanismos de transporte entre
diferentes bactérias e avaliar como substâncias presentes no cotidiano podem
interferir no sucesso dos tratamentos.
(Metrópoles)
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| Foto: Adobe Stock |
