A estudante
Juliana Garcia, de 35 anos, foi homenageada na Câmara Municipal de Natal nesta
segunda-feira (25/8). Ela recebeu a Comenda Maria da Penha após sobreviver a
uma agressão brutal, quando o então namorado, Igor Eduardo Pereira Cabral,
desferiu mais de 60 socos contra ela dentro de um elevador de condomínio em
Ponta Negra, na Zona Sul da capital. O crime ocorreu no dia 26 de julho e
deixou Juliana com múltiplas fraturas na face e na mandíbula, exigindo uma
cirurgia de mais de sete horas para reconstrução. Igor foi preso e se tornou
réu por tentativa de feminicídio.
Durante a
sessão solene, Juliana discursou pela primeira vez desde o ataque: “Eu me sinto
honrada e muito feliz em representar um caso de resistência, um caso de uma
pessoa que conseguiu, mesmo diante de tanta agressão e de uma tentativa de
feminicídio, se reerguer”. Ela falou sobre as sequelas físicas que ainda
enfrenta: “Meu rosto do lado direito ainda não está se movendo completamente, e
a coordenação não está totalmente recuperada, mas acreditamos que, com a
fisioterapia, tudo vai dar certo.”
Juliana
destacou a importância do apoio recebido após a agressão: “Gostaria de
ressaltar também a importância da rede de apoio. Uma mulher que tem a quem
recorrer se sente mais encorajada e consegue retomar a sua vida longe do
agressor.”
Ela também
deixou um recado para outras mulheres: “A importância que percebo é dar
visibilidade para que outras mulheres se sintam encorajadas a denunciar seus
agressores. Se eu consegui dar a volta por cima, elas também podem.”
Para o futuro,
Juliana pretende retomar os estudos, o trabalho e participar de rodas de
conversa e palestras: “Tenho certeza de que Deus me usou como instrumento para
dar voz a outras mulheres, para dar visibilidade. Nunca gostei de holofotes
sobre mim, mas, quando se fez necessário, agora farei uso deles para ajudar
outras mulheres.”
(Léo Dias)
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| Foto: Reprodução do Youtube |
