Apesar dos impactos do tarifaço norte-americano sobre
produtos brasileiros, a fruticultura cearense registrou números expressivos em
2025. A safra de frutas frescas deve encerrar o ano com quase 2 milhões de
toneladas produzidas, impulsionada por acerola, caju, manga, goiaba, banana,
melancia, melão, limão e maracujá. Esses produtos abastecem indústrias de
polpas, escolas, supermercados, programas de alimentação e a mesa do cearense.
Para Odálio Girão, analista de mercado da Ceasa, “o Ceará
está investindo na parte tecnológica também, está chegando ao mercado. Isso aí
impulsionou as produções, os nossos pomares, principalmente da região do Baixo
Jaguaribe, do Acaraú e até mesmo da serra da Ibiapaba e do maciço de Baturité.
Tem impulsionado também a produção até do Cariri”.
O polo agroindustrial do Vale do Jaguaribe, reconhecido
pelo cultivo de banana e melão de exportação, viu a Pitaya se destacar como a
maior produção em uma única área de plantação do país, com perspectivas de
crescimento para o próximo ano.
“2025 vai fechar um ano muito bom. O produtor tem investido
em qualidade, tem investido em produção. Isso ajuda muito para que as rendas
dos produtores da nossa região se mantenham”, disse Luís Felipe, gerente
executivo da Fapija. O segundo semestre, no entanto, trouxe desafios com o
tarifaço americano, que atingiu produtos como cera de carnaúba, castanha de
caju e melão, forçando o setor a buscar novos mercados na Europa e Ásia e a
ampliar plantações de culturas como a do açaí.
Alberto Félix, diretor da Agropar, comentou sobre o
crescimento da fruticultura local: “Colocamos o Ceará no ano de 2025 como um
dos nove maiores produtores de açaí do Brasil. Nosso objetivo será, dentro dos
próximos cinco anos, consolidar o estado entre os três maiores produtores do
país, pois sabemos que o açaí hoje é muito demandado”. O setor, com destaque
para melão e manga, contribuiu para elevar as exportações totais do Ceará em
36% em relação ao ano anterior, alcançando 1,5 bilhão de dólares entre janeiro
e agosto, apoiado por novos mercados, investimentos no agronegócio e o Porto do
Pecém.
A logística do setor também tem se mostrado eficiente.
Segundo Odálio Girão, “o vai e vem de produtos, o passeio do produto. O melão é
produzido aqui, mas vai também para a região Sul. E o que se produz lá vem para
cá. Esse passeio faz impulsionar esse mercado cada vez mais. Esperamos fechar
2025 com perto de 600 mil toneladas nos mercados do Ceará”. Além disso, a
fruticultura abre espaço para a indústria de frutas desidratadas, ideais para
levar ao trabalho ou à escola, mantendo uma alimentação saudável.
A técnica de nutrição Antônia Medeiros explicou como entrou
nesse mercado: “Há dois anos e meio, abri uma indústria em casa mesmo.
Trabalhar com pessoas que gostam de trabalhar com produtos que realmente têm
qualidade, não têm conservante, não têm aditivos químicos, um produto limpo. Eu
tenho certeza que nós temos um leque de empresas que estão buscando essa
linha”. A expectativa é que em 2026 os produtos desidratados estejam
disponíveis nas gôndolas de lojas de produtos naturais, consolidando ainda mais
o potencial da fruticultura cearense e seu impacto na economia local e
nacional.
