Para evitar novo impasse institucional, Carla Zambelli renuncia após STF determinar perda automática do mandato

Em uma tentativa de preservar direitos políticos, evitar novos constrangimentos à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados e fortalecer sua estratégia de defesa no exterior, a deputada Carla Zambelli (PL-SP) formalizou, no início da tarde deste domingo (14), a renúncia ao mandato parlamentar.

A decisão ocorre após uma sequência de reveses judiciais. Na última quinta-feira (10), a Câmara havia deliberado pela manutenção do mandato, apesar da condenação da parlamentar pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, 48 horas depois, o ministro Alexandre de Moraes anulou a decisão da Casa e determinou que fosse cumprido o que estabelece o artigo 55 da Constituição: a perda automática do mandato em casos de condenação criminal com trânsito em julgado.

POSSE DO SUPLENTE

Com a decisão do STF, caberia ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), apenas cumprir a ordem judicial e convocar o suplente. Antes que isso ocorresse, Zambelli optou por renunciar. A assessoria da Presidência da Casa confirmou o recebimento do pedido.

Aliados afirmam que, diante da condenação a dez anos de prisão, da detenção na Itália e do risco de extradição ao Brasil, a deputada decidiu aceitar o encerramento do mandato para reduzir danos jurídicos e políticos.

A estratégia, segundo interlocutores, é diferenciar a condição de quem renuncia voluntariamente da de parlamentar que perde o mandato por imposição judicial, argumento considerado relevante na defesa apresentada às autoridades italianas.

ORIENTAÇÃO JURÍDICA

O plano inclui, em um primeiro momento, buscar autorização para deixar a prisão. Em seguida, tentar barrar o processo de extradição.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que a renúncia não teve motivação eleitoral, mas exclusivamente jurídica.

“Uma coisa é se defender na Itália após perda do mandato determinada pelo Judiciário, outra é como alguém que renunciou e se apresenta como alvo de perseguição política”, declarou.

ORIGEM DA CONDENAÇÃO

A deputada foi condenada pelo STF por envolvimento na invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em ação executada pelo hacker Walter Delgatti Neto. A condenação transitou em julgado em junho, e, no mês seguinte, Zambelli deixou o Brasil e seguiu para a Itália.

Com a renúncia formalizada, a Câmara deverá apenas comunicar a vacância e proceder à posse do suplente, encerrando o impasse institucional criado após a tentativa de manter o mandato apesar da decisão judicial definitiva.

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