A
Copa do Mundo 2026 mal começou e os livros de história do futebol já ganharam
um novo e melancólico capítulo. Durante a partida de abertura do torneio entre
México x África do Sul, o meio-campista sul-africano Sifivelo Sithole alcançou
uma marca estatística altamente indigesta: ele se tornou o primeiro jogador a
receber um cartão vermelho em um jogo de abertura Mundial desde 1994.
O
confronto de estreia já se mostrava dramático para a seleção africana, que
perdia por 1 a 0 graças a um gol marcado pelo atacante Julian Quiñones para os
mexicanos. No entanto, o cenário virou um verdadeiro pesadelo no início do
segundo tempo.
Com
a África do Sul em busca do empate, a equipe do México recuperou a posse e
engatou um contra-ataque fulminante. No desespero para conter a transição
ofensiva dos donos da casa, Sifivelo Sithole apelou para uma falta violenta.
A
infração aconteceu no limite da grande área, gerando intensa reclamação dos
mexicanos e momentos de tensão no estádio enquanto a arbitragem avaliava se o
lance havia ocorrido dentro ou fora da área. Por centímetros, a jogada não
resultou em pênalti, mas a punição disciplinar foi severa: cartão vermelho
direto para o volante sul-africano.
Se
a expulsão de Sifivelo Sithole já representava um fato raro em partidas
inaugurais de Copas do Mundo, o que aconteceu nos minutos finais elevou o
confronto a um patamar histórico ainda mais impressionante.
Já
na reta final do segundo tempo, o atacante sul-africano Themba Zwane recebeu
inicialmente apenas um cartão amarelo após uma disputa de bola. No entanto,
após revisão do VAR, a arbitragem identificou uma agressão e alterou a punição
para cartão vermelho direto, deixando os Bafana Bafana com apenas nove
jogadores em campo.
Pouco
depois, foi a vez de o México perder um atleta. O zagueiro César Montes acabou
expulso após interromper de forma violenta um ataque promissor da África do
Sul, em uma entrada dura que levou o árbitro a mostrar o cartão vermelho.
Com
três cartões vermelhos, o confronto registrou o maior número de expulsões em
uma partida de Copa do Mundo desde a edição de 2006.
Relembrando os precedentes de 2006
A
última Copa que havia registrado uma partida com pelo menos três expulsões foi
a de 2006, disputada na Alemanha.
Naquele
Mundial, Portugal derrotou a Holanda por 1 a 0 nas oitavas de final em um
confronto que ficou conhecido como a "Batalha de Nuremberg",
encerrado com quatro expulsões. Além disso, outros dois jogos terminaram com
três cartões vermelhos: o empate por 1 a 1 entre Itália e Estados Unidos e o
empate por 2 a 2 entre Croácia e Austrália, ambos ainda na fase de grupos.
Apenas um precedente em jogos de abertura
Em
partidas inaugurais de Copa do Mundo, a última vez que uma seleção havia
terminado o jogo com dois atletas expulsos ocorreu em 1990.
Na
ocasião, Camarões derrotou a Argentina por 1 a 0, em Milão, mesmo terminando a
partida com apenas nove jogadores após as expulsões de André Kana-Biyik e
Benjamin Massing.
Trinta
e seis anos depois, a África do Sul repetiu a marca negativa ao perder dois
atletas por cartão vermelho em uma estreia de Mundial.
A
punição aplicada a Sifivelo Sithole também encerrou um longo período sem
cartões vermelhos em jogo de abertura Mundial. O último caso havia acontecido
há exatos 32 anos, na edição de 1994, também realizada na América do Norte.
Na
ocasião, o meia boliviano Marco Etcheverry, conhecido como El Diablo, recebeu
cartão vermelho direto na partida de abertura entre Bolívia e Alemanha. Poucos
minutos após entrar em campo, o camisa 10 acertou um chute em Lothar Matthäus e
foi expulso, protagonizando uma das cenas mais lembradas daquela edição.
Apesar
das confusões e interrupções, o México soube aproveitar a superioridade
numérica durante boa parte da partida para confirmar os três pontos. Julian
Quiñones abriu o placar ainda no primeiro tempo, enquanto Raúl Jiménez ampliou
na etapa final e decretou a vitória por 2 a 0.