A seleção do Irã pode ficar oficialmente fora da Copa do
Mundo de 2026 após o governo do país declarar que não há condições de
participação no torneio. A informação foi confirmada pelo ministro do Esporte e
da Juventude, Ahmad Donyamali, em entrevista à televisão estatal iraniana.
Segundo o ministro, a decisão ocorre em meio ao cenário de
tensão e ataques que, de acordo com o governo iraniano, envolvem os Estados
Unidos e Israel. Para ele, o contexto atual torna inviável a presença da
seleção no mundial.
“Considerando que este regime corrupto assassinou nosso
líder, sob nenhuma circunstância poderemos participar da Copa do Mundo”,
afirmou Donyamali.
O ministro também declarou que a segurança da população e
das crianças no país é prioridade e que “não existem condições” para a equipe
disputar o torneio.
A Copa do Mundo de 2026 está marcada para ocorrer entre 11
de junho e 19 de julho, com partidas sendo realizadas nos Estados Unidos,
México e Canadá. No sorteio realizado em dezembro, o Irã foi colocado no Grupo
G, ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia. Os três jogos da seleção iraniana
estavam previstos para acontecer em território norte-americano, nas cidades de
Los Angeles e Seattle.
A possível desistência ocorre mesmo após o Irã garantir
vaga na Copa ao liderar o Grupo A na terceira fase das Eliminatórias Asiáticas,
assegurando sua quarta participação consecutiva no torneio.
O clima de incerteza já havia chamado atenção da
organização do torneio. O Irã foi o único país participante que não compareceu
a uma cúpula de planejamento da FIFA realizada em Atlanta, nos Estados Unidos.
Até o momento, a entidade máxima do futebol mundial não comentou oficialmente o
caso.
Caso a desistência seja confirmada, a FIFA poderá aplicar
sanções à Federação Iraniana de Futebol. Entre as punições previstas no
regulamento estão multas que podem chegar a 500 mil francos suíços
(aproximadamente R$ 3,2 milhões), além da devolução de valores recebidos para
preparação da equipe.
Especialistas em direito esportivo também apontam que a
entidade pode avaliar a suspensão do país em competições futuras. No entanto, o
caso ainda deve ser analisado considerando a possibilidade de “força maior”, devido
ao cenário de conflito citado pelo governo iraniano.
A eventual saída da seleção também levanta dúvidas sobre
quem herdaria a vaga no Grupo G, que já conta com Bélgica, Egito e Nova
Zelândia. A definição dependerá de decisão oficial da FIFA caso o abandono seja
confirmado.
