A atual prefeita de Groíras, Virgínia Aguiar (PDT), chamou
atenção nas redes sociais após afirmar ser contra a realização de concurso
público na cidade porque o certame "tira vaga do povo de Groaíras" e
os aprovados são "gente de fora".
A fala foi feita durante a sessão de abertura do ano
legislativo na Câmara de Vereadores da cidade na última sexta-feira (6). Ao
longo do discurso, Virgínia fez um balanço do primeiro ano de gestão e citou
pontos que devem ser tocados em 2026, entre eles um concurso público.
De acordo com a gestora, o município foi condenado na
Justiça a realizar dois concursos públicos, em um processo movido pelo
Ministério Público do Ceará (MPCE). Um deles diz respeito a vagas gerais para
diversos cargos da prefeitura, enquanto outro é para a Guarda Municipal.
Durante o discurso, a prefeita justificou o posicionamento
contrário aos concursos ao afirmar que os aprovados não são moradores do município.
Ela, no entanto, afirmou que vai realizar o concurso, conforme a decisão
judicial.
"Eu, sinceramente, como pessoa, como prefeita, e já
disse isso para o promotor, sou contra o concurso público. Você sabe por quê?
Não é por questão de assistencialismo, não. [...] É porque ele tira a vaga de
uma pessoa da cidade. E o concurso vai acontecer o que a oposição disse que ia
acontecer. Vai sair o povo de Groaíras, vai deixar de trabalhar para vir gente
de fora. E a culpa é da prefeita? Não. O concurso é o concurso. Quem passou tem
que assumir", disse Virgínia.
Eleita prefeita de Groaíras em 2024, Virgínia é natural de
Coreaú, município a cerca de 75 quilômetros de distância. Antes de virar a
gestora da cidade, ela foi vereadora do município vizinho, Cariré, onde o seu
marido, Antônio Martins (PDT), é prefeito no quarto mandato.
Quando concorreu à prefeitura de Groaíras, ela usou o nome
"Virgínia do Antônio Martins". Após a vitória da esposa, Antônio
publicou um vídeo no qual elogiava a população de Groaíras pela escolha e disse
que ele também iria fazer parte da gestão do município vizinho, sem detalhar
como.
No discurso na Câmara, Virgínia lamentou que a gestão
anterior não tenha recorrido da sentença judicial que condenou o município a
realizar concurso, mas afirmou que irá cumprir a decisão da Justiça. "A
gente foi penalizado, a gente foi condenado, tem que fazer o concurso",
disse.
Nas redes sociais, usuários criticaram a fala da prefeita
sobre "gente de fora" e destacaram que o concursos públicos são instrumentos
de contratação previstos na legislação brasileira, além de chamar atenção para
o fato de que ela também não é natural do município.
O que diz a prefeita
Por meio de nota, a prefeita Virgínia Aguiar destacou que o
posicionamento contrário ao concurso é uma opinião "estritamente
pessoal" e afirmou que vai cumprir a determinação judicial de realização
do certame.
Confira a nota na íntegra abaixo:
"As falas proferidas em ocasião anterior refletiram
entendimento de caráter estritamente pessoal e foram indevidamente
interpretadas fora de seu contexto original. Em nenhum momento houve intenção
de afrontar a ordem jurídica ou de desconsiderar os princípios que regem a
Administração Pública.
Ressalta-se que o Município de Groaíras encontra-se
submetido a decisão judicial que determina a realização de concurso público no
presente exercício. Tal determinação será integralmente cumprida, em estrita
observância à legislação vigente, aos princípios constitucionais e às normas
que disciplinam o acesso aos cargos públicos.
A Prefeita reafirma, de forma categórica, que opiniões de
cunho pessoal não se confundem com o exercício do cargo público. Na condição de
chefe do Poder Executivo Municipal, sua atuação é pautada pelo dever de
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, conforme
impõe o ordenamento jurídico brasileiro.
Diante da ampla repercussão do tema, informa que não se
manifestará novamente sobre o assunto, mantendo-se, contudo, plenamente
comprometida com o cumprimento da sentença judicial e com a condução
responsável do processo administrativo necessário à realização do certame.
Agradece-se à imprensa pela busca de esclarecimentos e
permanece esta gestão à disposição para tratar de informações oficiais e
institucionais.
(G1-CE)
