O uso de medicamentos para perda de peso segue no radar das
autoridades sanitárias e levou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa) a reforçar o alerta sobre os riscos das chamadas “canetas
emagrecedoras” quando utilizadas sem orientação médica. A agência destaca que
esses remédios devem ser usados exclusivamente para as indicações previstas em
bula, sempre com prescrição e acompanhamento profissional.
Desde junho de 2025, a venda desses medicamentos passou a
exigir retenção da receita nas farmácias, medida semelhante à adotada para
antibióticos. A decisão busca conter o uso indiscriminado, especialmente para
fins estéticos, prática que se popularizou nos últimos anos.
O principal risco apontado pela Anvisa é a pancreatite,
inflamação grave do pâncreas que pode surgir de forma súbita, provocar dor
abdominal intensa, náuseas, vômitos e, em casos mais graves, levar à morte.
Segundo a agência, o uso sem controle médico dificulta o diagnóstico precoce da
doença e aumenta as chances de complicações.
Dados da agência reguladora do Reino Unido indicam que,
entre 2007 e 2025, foram registrados mais de 1.200 casos de pancreatite
associados ao uso desses medicamentos, incluindo 19 mortes. No Brasil, também
houve crescimento nas notificações do problema.
Além da pancreatite, a Anvisa lembra que já emitiu outros
alertas envolvendo esses fármacos, como risco de aspiração durante anestesia e,
em casos raríssimos, perda súbita da visão relacionada ao uso da semaglutida.
A orientação é clara: ao apresentar dor abdominal forte e
persistente, que pode irradiar para as costas e vir acompanhada de náuseas e
vômitos, o paciente deve procurar atendimento médico imediato. Em caso de
confirmação de pancreatite, o tratamento deve ser interrompido e não deve ser
retomado.
A agência também reforça que medicamentos não devem ser
adquiridos pela internet ou em estabelecimentos irregulares, devido ao risco de
falsificação.
Para a Anvisa, os medicamentos continuam sendo seguros
quando utilizados corretamente, com indicação clínica adequada, receita médica
e acompanhamento regular. O alerta tem como objetivo prevenir o uso
indiscriminado e reduzir casos graves associados ao uso sem orientação.
Recomendações da Anvisa aos
pacientes:
• Não usar agonistas de GLP-1 sem prescrição e
acompanhamento médico.
• Procurar atendimento urgente em caso de dor abdominal
intensa e persistente, especialmente se houver náuseas e vômitos.
• Não reiniciar o medicamento após diagnóstico confirmado
de pancreatite.
• Não adquirir medicamentos por fontes não confiáveis, como
internet ou comércio informal.
• Notificar suspeitas de reações adversas por meio do
sistema VigiMed.
