A
Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou que vai implementar novos
protocolos para gerenciar o excedente de energia renovável produzido no Brasil,
após identificar risco de colapso no sistema elétrico. A medida terá início com
a geração de pequenas hidrelétricas sob controle das distribuidoras, e
posteriormente deve abranger a mini e microgeração distribuída, modalidade em
que consumidores produzem energia própria e recebem desconto ao injetar o
excedente na rede.
O
excedente que será afetado pelo novo procedimento está fora da rede básica e
não é controlado diretamente pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), mas ainda
assim interfere na operação do sistema elétrico. Apesar de grandes usinas
eólicas e solares estarem sob supervisão do ONS, sua produção em horários de alta
incidência solar ou ventos fortes também gera sobreoferta, exigindo ajustes no
gerenciamento da rede.
A
decisão ocorreu após reunião entre Aneel, ONS e a Associação Brasileira de
Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) na última sexta-feira (17). O ONS
apresentou um diagnóstico do problema e discutiu a necessidade de protocolos
claros para desligamentos temporários, incluindo critérios de quantidade,
frequência e atualização dos procedimentos operacionais.
Segundo
o ONS, será enviado à Aneel, até 31 de outubro, o “Plano de Gestão de
Excedentes de Energia na Rede de Distribuição”. A agência avaliará, se
necessário, medidas regulatórias complementares para viabilizar a implementação
do plano.
Para
Luiz Eduardo Barata, presidente da Frente Nacional dos Consumidores de Energia,
a mudança representa um avanço na coordenação entre transmissão e distribuição.
Atualmente, cortes são feitos apenas nas usinas interligadas ao Sistema
Interligado Nacional (SIN); com o novo protocolo, distribuidoras passarão a atuar
junto às pequenas e médias geradoras em desligamentos programados.
O
debate sobre o excesso de energia ocorre em um cenário em que o Brasil tem
produzido mais energia renovável do que o sistema consegue absorver de forma
segura, principalmente nos parques eólicos e solares do Nordeste. Nos últimos
meses, o ONS identificou que a micro e minigeração distribuída poderia
comprometer o controle de frequência e tensão da rede, evidenciando a
necessidade de ajustes para manter a segurança elétrica do país.
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| Foto: Divulgação/Agência Nacional de Energia Elétrica |
