Para muitas gestantes, a internação representa uma pausa
inesperada na rotina e chega acompanhada de incertezas. No Hospital Regional
Norte (HRN), equipamento da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) em Sobral, esse
período também se transforma em um momento de orientação, aprendizado e mais
segurança para o cuidado após a alta.
Entre os casos assistidos no Centro de Assistência à Saúde
Reprodutiva da Mulher (CASRM) da unidade estão gestantes com diabetes mellitus
gestacional (DMG), condição que pode trazer riscos importantes para a mãe e o
bebê e que, em situações específicas, exige internação para estabilização
clínica e monitoramento contínuo.
Durante a permanência hospitalar, as gestantes participam
de momentos educativos realizados semanalmente na Clínica Obstétrica. A
atividade é conduzida por profissionais da enfermagem e nutrição e tem como
foco preparar as pacientes para o autocuidado após a alta, fortalecendo a
continuidade do tratamento em casa.
A coordenadora de enfermagem do CASRM, Michelle Prudêncio,
destaca que as orientações envolvem diferentes aspectos do cuidado no dia a
dia. “As gestantes são orientadas quanto à adesão a uma dieta balanceada,
prática de atividades físicas quando indicadas, identificação de sinais de hipo
e hiperglicemia, realização da curva glicêmica e uso correto da insulina”,
explica.
Segundo ela, esse processo contribui diretamente para a
segurança da paciente fora do ambiente hospitalar. “Quando a paciente está
preparada para o autocuidado em casa, ela consegue dar continuidade à gestação
com mais segurança, evitando complicações para si e para o bebê”, ressalta.
Foi nesse ambiente de cuidado e orientação que Aline
Bezerra Viana, 36 anos, natural de Hidrolândia, encontrou mais segurança para
lidar com a gestação. Ela convive com diabetes tipo 1 desde a infância e está
na terceira internação.
À espera de um menino, ela destaca o aprendizado adquirido
ao longo do período no hospital. “Na primeira vez eu não tinha muita noção.
Agora já aprendi muita coisa e tento fazer em casa o que é feito aqui, como
seguir a alimentação e os horários da medicação. Além disso, aqui eu me sinto
bem cuidada, porque qualquer alteração já tem toda a equipe para acompanhar”,
afirma.
Internação é essencial em casos de
descompensação
De acordo com o coordenador médico do CASRM, Edilberto
Duarte, a indicação de internação está diretamente relacionada à gravidade do
quadro clínico. “A principal indicação de internação de pacientes diabéticas
são aquelas que têm descontrole da glicemia, com hiperglicemia persistente ou
baixa adesão ao tratamento. Mesmo quando há uso de insulina, se a paciente não
se adequa ou a glicemia continua descompensada, há indicação de internar”,
explica.
Segundo o especialista, os riscos da diabetes descompensada
atingem tanto a mãe quanto o bebê. “Para o bebê, há risco de macrossomia fetal,
quando o bebê nasce com peso elevado, complicações no parto, aumento do líquido
amniótico, prematuridade e até desconforto respiratório ao nascer. Já para a
mãe, destacam-se infecções, relação com pré-eclâmpsia, parto prematuro e, nos
casos mais graves, a cetoacidose diabética, que é uma emergência médica”,
destaca.
Nesse contexto, o ambiente hospitalar é fundamental para
garantir uma resposta rápida e segura. “No hospital, conseguimos fazer um
controle glicêmico intensivo, com ajustes diários da insulina, além de
monitoramento fetal com exames específicos. Isso permite identificar
precocemente alterações e evitar situações mais graves”, afirma.
A estudante Maria Eduarda Abreu Medeiros, de 21 anos,
natural de Sobral, também vivenciou a internação durante a gestação por
diabetes gestacional. Mãe do pequeno João Guilherme, que está sob os cuidados
do serviço de Neonatologia, ela destaca o aprendizado e o cuidado recebido.
“Eu aprendi bastante coisa sobre alimentação que eu não
sabia. Quando fui para casa, consegui controlar por um bom tempo mantendo a
dieta daqui”, relata.
Referência em atenção especializada
O HRN é referência em obstetrícia de alta complexidade para
55 municípios da Região Norte do Ceará. O atendimento é exclusivo para
gestantes classificadas como alto risco, encaminhadas por meio da vinculação
com a Policlínica Bernardo Félix da Silva e a Célula de Saúde da Mulher, além
da regulação pela Central de Regulação Estadual.

