O sonho de se tornar jogador profissional levou o jovem
Matheus Moraes, de 18 anos, a sair do Rio de Janeiro rumo ao Ceará. O que
parecia ser a oportunidade da vida acabou se transformando em frustração e em
um caso de investigação policial.
À TV Verdes Mares, a família de Matheus disse que manteve
contato por cerca de dois meses com um homem identificado como Reidner Sousa de
Holanda, que se apresentou como olheiro de times cearenses. Durante as
conversas, a família enviou vídeos e fotos do jovem jogando futebol. O suposto
agente afirmou que encaminharia o material para três clubes e, posteriormente,
disse haver uma proposta considerada melhor: uma apresentação ao time do
Itapipoca.
De acordo com Rodolfo Moraes, pai do jogador, o homem
solicitou o pagamento de R$ 1 mil como ajuda de custo. A família realizou o
pagamento e comprou a passagem para que Matheus viajasse ao Ceará, onde seria
apresentado ao clube em uma data combinada. O jovem chegou ao estado antes do
dia marcado e ficou hospedado na casa do suposto agente.
Foi nesse período que, segundo o relato de Matheus, o
comportamento do homem mudou completamente. O jovem afirma que passou a ser
impedido de usar o celular e de manter contato com os pais. Ele também relata
que foi trancado dentro da residência e que o homem dormia com uma faca ao lado
da cama.
“Ele queria me proibir de mexer no celular, queria pegar
meu celular, não queria deixar eu falar com minha mãe, com meu pai. Ele começou
a me trancar dentro de casa”, contou Matheus. O jogador afirma que, com medo, passou
a pedir ajuda a moradores da região e chegou a se abrigar em diferentes casas
para evitar o contato. Segundo ele, o homem o procurava pela cidade e chegou a
bater de porta em porta até encontrá-lo em uma pensão, onde teria feito novas
abordagens.
Boletim de ocorrência e
investigação policial
Após conseguir se afastar, Matheus registrou boletim de
ocorrência e solicitou medida protetiva antes de retornar ao Rio de Janeiro.
A família alega ter sido vítima de estelionato. A equipe de
reportagem entrou em contato com o clube Itapipoca, e o presidente do time
afirmou que não conhece o homem citado e que não há seleção prevista para novos
jogadores neste ano. Segundo ele, quando há processo seletivo, a divulgação é
feita pelas redes sociais oficiais.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro informou, por meio de
nota, que o caso é investigado e que as diligências seguem em andamento para
apurar os fatos. Já a Polícia Civil do Ceará afirmou que investiga duas
denúncias relacionadas a ameaça e estelionato no município de Itapipoca.
Procurado pela TV Verdes Mares, Reidner Sousa de Holanda
negou ser agente de futebol e afirmou ser professor da modalidade, além de
estar se recuperando de uma cirurgia. Ele declarou que foi procurado pelo pai
de Matheus e que solicitou ajuda de custo para cobrir despesas com deslocamento
e outros gastos.
Sobre as acusações de tortura psicológica, disse que tem o
hábito de dormir próximo a uma faca. O homem negou ter prometido data de
apresentação ao clube ou ter realizado qualquer encaminhamento do jovem a times
cearenses.
O caso segue sob investigação nas duas unidades da
federação.
(G1 Ceará)
