Gasolina vai aumentar? Veja o que diz Sindipostos após alta do petróleo

A escalada da tensão no Oriente Médio tem impactado diretamente o mercado global de petróleo, refletindo nos preços dos combustíveis no Brasil. Ataques recentes dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã aumentaram os riscos de navegação no Estreito de Ormuz, passagem estratégica pela qual circula cerca de 20% do petróleo mundial. Paralelamente, a produção de países como Iraque e Catar foi afetada, elevando a cotação internacional do petróleo.

Impacto da guerra no preço do barril do petróleo

A alta recente do preço do petróleo é impulsionada principalmente pela escalada da guerra no Oriente Médio envolvendo EUA, Israel e Irã. O petróleo Brent está cotado em cerca de US$ 93,53 por barril, de acordo com a cotação desta segunda-feira (09/03). Os preços chegaram a picos próximos de US$ 120 recentemente, após disparadas de até 36% em uma semana.

Ataques israelenses a depósitos e refinarias de petróleo no Irã, como em Teerã e Shahr-e Rey, danificaram a infraestrutura iraniana e elevaram o risco de oferta. O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã desde fevereiro de 2026 bloqueia rotas vitais para 20-30% do petróleo global, gerando pânico no mercado. Bombardeios dos EUA e Israel, com retaliações iranianas no Golfo, intensificaram interrupções na produção e logística.

Frio extremo nos EUA, compras chinesas e tensões com a Rússia contribuíram também para a força dos preços apesar de excesso de oferta global. Acordos comerciais EUA-Índia reduzindo importações russas também pressionam o mercado. O G7 discute liberação de reservas estratégicas para conter a volatilidade.

Brent

Fechamento: US$ 93,53 por barril, alta de 0,91% no dia, mas com pico intradiário de US$ 110,79 (+19,4%).

Alta mensal: 35,95%​

WTI

Fechamento: cerca de US$ 88,96 por barril, queda de 2,13% no dia, com pico de US$ 110,54 (+21,54%).

Alta mensal: 39,09%.

Alta do petróleo: Sindipostos alerta para preço dos combustíveis

Diante do cenário internacional, o Sindipostos Ceará emitiu alerta sobre a alta nos preços dos combustíveis, afirmando que as distribuidoras já vêm promovendo reajustes nos últimos dias.

“A população deve esperar aumento nas bombas à medida que os postos comprem produtos com preços mais altos”, informou a entidade. O sindicato também destacou que a Petrobras, embora ainda não tenha elevado oficialmente os preços, está sob forte pressão e deve reajustar os valores em suas dez refinarias nos próximos dias. Segundo o Sindipostos, a volatilidade internacional do petróleo influencia toda a cadeia de distribuição, e os consumidores precisam se preparar para aumentos progressivos nos postos.

Distribuidoras como a Ipiranga reforçam que o preço final nos postos é definido pelos revendedores e segue a dinâmica de oferta e demanda. A Fecombustíveis ressaltou que os aumentos anteriores na cadeia de distribuição não devem ser atribuídos aos postos revendedores, buscando esclarecer possíveis equívocos junto à opinião pública. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, declarou que a estatal avalia cuidadosamente o mercado antes de repassar a volatilidade internacional aos preços internos.

Por sua vez, o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araujo, defende que ajustes nos preços internos já são necessários para evitar desestímulo às compras pelos importadores, que abastecem parte do mercado. Economistas alertam que a tensão global torna mais difícil implementar políticas de redução de taxas e indicam que o impacto internacional deve continuar refletindo nos preços nacionais.

O Sindipostos reforça que a tendência é de alta contínua nos próximos dias, caso a cotação do petróleo permaneça elevada, e orienta consumidores e empresários a acompanharem as mudanças diárias nos preços dos combustíveis. O alerta do sindicato evidencia que o cenário geopolítico externo influencia diretamente o bolso do consumidor cearense e brasileiro, reforçando a necessidade de monitoramento constante do mercado.

Preço da gasolina, do etanol e do diesel no Ceará

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que os preços médios dos combustíveis no Brasil apresentaram variações moderadas na semana de 1º a 7 de março de 2026. No país, a gasolina comum teve média de cerca de R$ 6,33 por litro, enquanto a gasolina aditivada ficou em R$ 6,54. O etanol hidratado apresentou média nacional próxima de R$ 4,97. Já o diesel S10 foi comercializado, em média, por R$ 6,14, e o gás de cozinha (GLP) registrou preço médio de R$ 113,36 no botijão de 13 quilos.

No Ceará, o levantamento da ANP aponta que os preços em Fortaleza ficaram próximos ou ligeiramente acima de algumas médias nacionais. A gasolina comum foi encontrada com preço médio de R$ 6,48 por litro, podendo variar entre R$ 6,29 e R$ 6,69 nos postos pesquisados. A gasolina aditivada apresentou média de R$ 6,63, com valores que chegaram a R$ 6,99.

O etanol hidratado teve preço médio de R$ 4,98, praticamente alinhado à média brasileira. Já o diesel S10 foi vendido em média por R$ 5,97, valor um pouco abaixo da média nacional observada na mesma semana.

(GCMAIS)

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