Buscas por psicóloga cearense desaparecida na Inglaterra continuam após últimos registros em universidade

As buscas pela psicóloga brasileira Vitória Figueiredo Barreto, de 30 anos, continuam sem novas pistas no Reino Unido. Natural do Ceará, a jovem foi vista pela última vez na cidade de Brightlingsea, no condado de Essex, a cerca de duas horas de Londres. Desde o desaparecimento, investigadores tentam reconstruir os últimos passos da brasileira e esclarecer o que pode ter ocorrido após o último registro de sua presença na região.

Brightlingsea é uma cidade pequena, com cerca de 8 mil habitantes, conhecida pela tranquilidade e pela paisagem à beira-mar. O caso mobiliza autoridades locais, moradores e a comunidade brasileira no país, que têm colaborado com a divulgação de informações e buscas por pistas que possam levar ao paradeiro da psicóloga.

A família de Vitória acompanha o caso à distância e mantém contato com investigadores e pessoas próximas que estavam com ela nos dias que antecederam o desaparecimento.

Últimos contatos e rotina antes do desaparecimento

Vitória Figueiredo Barreto trabalhava com terapia comunitária integrativa e havia participado, no início do ano, de um congresso de psiquiatria realizado no Marrocos. Registros publicados por ela nas redes sociais mostram momentos da viagem e atividades relacionadas ao evento.

Após a participação no congresso, a psicóloga seguiu para a Inglaterra, onde passou alguns dias visitando locais turísticos e reencontrando conhecidos.

O namorado da brasileira, Janilson Gomes, relatou que os dois passaram um período juntos em Londres antes de ela seguir para o interior do país.

“Encontramos com ela, nos divertimos um pouco por Londres, fizemos alguns passeios”, afirmou.

Nos dias seguintes, Vitória ficou hospedada na casa da professora e psicóloga clínica Liliane Além-Mar, que atua na Universidade de Essex.

Segundo Liliane, havia planos para que a brasileira conhecesse a instituição e participasse de atividades acadêmicas. “Na segunda-feira foi planejado que eu apresentaria ela à universidade. Ela estava feliz, estava divertida”, relatou.

No entanto, no dia do desaparecimento, a rotina planejada mudou.

“Almoçamos na beira do lago, ela estava muito calada. E aí fomos andando até o ponto onde a gente se encontraria, 15 para 5 da tarde, para voltar para a nossa cidade. Mas aí ela não apareceu”, contou a professora.

Desaparecimento da psicóloga cearense no Reino Unido

Após o almoço com Liliane, Vitória embarcou em um ônibus dentro do campus da Universidade de Essex. Imagens de câmeras de segurança do veículo registraram a presença da brasileira.

No vídeo, ela aparece usando óculos e com o capuz do casaco sobre a cabeça. Esse registro é considerado o último momento em que a psicóloga foi vista.

De acordo com a polícia, Vitória desembarcou em um ponto de ônibus próximo ao campus universitário. A partir desse local, no entanto, não há novos registros de câmeras de segurança que mostrem a movimentação da brasileira pela cidade.

Uma testemunha que passou pela mesma rua relatou ter visto alguém com características semelhantes às da psicóloga, o que reforça a hipótese de que ela esteve na região após sair do ônibus.

Investigadores analisam imagens de câmeras da cidade, buscam novas testemunhas e tentam reconstruir os passos da brasileira após o desembarque.

Última localização do celular levanta dúvidas

Horas após o desaparecimento, já durante a madrugada, familiares tiveram acesso à localização do celular da psicóloga. O sinal indicava um ponto no mar.

Por volta das 8 horas da manhã, no entanto, o sinal deixou de ser registrado.

A informação levantou dúvidas sobre o que teria acontecido nas horas seguintes ao desaparecimento. O tio de Vitória, Adalberto Barreto, explicou que especialistas da região apontaram possíveis falhas na precisão da geolocalização.

“Nós fomos conversar com o pessoal da marina para entender se ela poderia estar no mar. Eles disseram categoricamente que ela não está no mar”, afirmou.

Ele acrescenta que a região pode apresentar inconsistências nos dados de localização. “E aí o chefe explicou: essa região aqui vai dar divergência da localização. A geolocalização não é precisa.”

Segundo Adalberto, outras informações ainda são aguardadas pela família. “As transações financeiras nós não estamos tendo acesso. Então esses cartões são importantíssimos para a gente entender o que ela pode estar comprando, onde ela pode estar passando”, disse.

Mobilização da comunidade e expectativa da família

Enquanto as investigações seguem em andamento, moradores de Brightlingsea têm demonstrado solidariedade com o caso. Cartazes com a foto da psicóloga foram espalhados pela cidade e moradores também montaram kits com itens básicos, caso ela apareça e precise de ajuda.

A mobilização busca ampliar as chances de localizar a brasileira ou reunir novas informações que possam contribuir com as investigações.

A mãe de Vitória, Gleiz Bezerra, mantém a esperança de reencontrar a filha.

“Onde quer que você esteja, Vitória, queremos que você sinta que foi e continua sendo especial”, disse.

Em meio à incerteza, ela afirma manter a confiança de que a filha será encontrada. “Há minha esperança, e tem hora que eu tenho tanta certeza que vou abraçar a Vitória.”

Enquanto a busca continua, investigadores tentam responder às principais perguntas que cercam o caso: o que levou a psicóloga até a cidade de Brightlingsea e o que aconteceu depois que o celular dela enviou o último sinal. Até o momento, o desaparecimento segue sem explicação confirmada pelas autoridades.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que monitora o desaparecimento da cearense por meio do Consulado-Geral do Brasil na capital britânica e que mantém contato com as autoridades locais e com a família de Vitória para prestar a assistência necessária. A mãe da psicóloga, Gleiz Bezerra, afirma manter a esperança de reencontrar a filha.

(GCMAIS)

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