O Brasil concluiu, oficialmente, o processo de desligamento
da televisão analógica, dando novo passo para a modernização da TV aberta e
para ampliar a conectividade de internet no país. O anúncio foi feito pela
Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) na segunda-feira (9).
A medida encerra ciclo de transição tecnológica que levou
televisão digital para milhões de brasileiros e possibilitou a liberação da
faixa de frequência de 700 MHz, considerada essencial para ampliar a cobertura
da internet móvel 4G em todo o território nacional.
O processo foi coordenado pelo Grupo de Implementação do
Processo de Redistribuição e Digitalização de Canais de TV e RTV (Gired) e teve
sua conclusão efetiva em dezembro de 2025, após anos de implementação em
diferentes regiões do país.
Para o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira
Filho, o encerramento do desligamento representa um marco para o setor de
comunicações no Brasil.
“O desligamento da TV analógica marca um avanço importante
para o Brasil. Além de levar mais qualidade de imagem e som para milhões de
brasileiros com a TV digital, essa transição também permitiu liberar espectro
para ampliar a cobertura da internet móvel 4G, fortalecendo a conectividade e a
inclusão digital em todo o país”, destacou o ministro.
Digitalização da TV
Durante a apresentação de um balanço da política pública, o
presidente do Gired, Octavio Penna Pieranti, detalhou os resultados do processo
de digitalização da televisão no país.
Segundo ele, ao longo da transição
tecnológica:
- Mais de 14 mil canais analógicos
foram desligados;
- 20 mil canais digitais passaram a
integrar o plano básico de radiodifusão;
- Mais de 14 milhões de kits de TV
digital foram distribuídos gratuitamente para famílias de baixa renda inscritas
no Cadastro Único (CadÚnico).
Liberação de espectro para expansão
do 4G
Além de modernizar o sistema de radiodifusão brasileiro, o
desligamento da TV analógica também permitiu liberar a faixa de 700 MHz do
espectro de radiofrequência. Essa faixa é considerada estratégica para ampliar
a cobertura da internet móvel 4G, especialmente em áreas com menor
infraestrutura de telecomunicações.
Com a reorganização do espectro, foram viabilizados novos
investimentos em redes móveis e na expansão do acesso à internet em diversas
regiões do país.
De acordo com Pieranti, o processo de digitalização também
deixou saldo remanescente de cerca de R$ 500 milhões, que está sendo
direcionado para novos projetos nas áreas de telecomunicações e radiodifusão.
No setor de telecomunicações, parte desses recursos foi
usada para financiar leilões reversos destinados à implantação de estações 4G
em distritos que ainda não possuíam cobertura de internet móvel. Já na área de
radiodifusão, os investimentos serão aplicados em iniciativas consideradas
estratégicas, entre elas:
- TV 3.0, a nova geração da televisão
aberta (saiba mais aqui);
- Digitaliza Brasil, programa voltado
à expansão da TV digital;
- Brasil Digital, iniciativa
destinada ao fortalecimento da infraestrutura de comunicação.
Gired é estendido até 2027 e foco
total na TV 3.0
Embora o desligamento analógico tenha sido concluído, o
trabalho do Gired (Grupo de Implementação) foi oficialmente prorrogado até o
fim de 2027. O objetivo é gerir o saldo remanescente de R$ 500 milhões em novos
projetos de conectividade e inovação.
De acordo com o balanço detalhado, a verba será dividida da
seguinte forma:
- R$ 250 milhões para a instalação de
estações 4G em distritos que ainda não possuem cobertura móvel.
- R$ 87 milhões destinados
especificamente à evolução do sistema de TV Digital (TV 3.0) até o final de
2026.
- R$ 45 milhões para a manutenção e
monitoramento das estações já instaladas pelo programa Digitaliza Brasil.
- R$ 105,5 milhões para o
fortalecimento da infraestrutura do programa Brasil Digital.
A expectativa do governo é que as primeiras transmissões
experimentais da TV 3.0 (que promete imagem em 4K/8K e maior interatividade via
internet) já ocorram durante a Copa do Mundo de 2026, servindo como o grande
teste para a nova tecnologia no país.
