Justiça condena Santa Casa a pagar R$ 100 mil por troca de bebê ocorrida há 36 anos

A Santa Casa de Cajuru, no interior de São Paulo, foi condenada pela Justiça a pagar indenização de R$ 100 mil por danos morais a uma mulher que teve o filho trocado na maternidade em 24 de outubro de 1981.

Na decisão, o juiz José Oliveira Sobral Neto, da Vara de Cajuru, afirmou que a troca de um recém-nascido representa uma das mais graves violações aos direitos fundamentais, atingindo diretamente a dignidade da pessoa humana, a identidade e os laços familiares. Segundo o magistrado, a angústia e o sofrimento vividos pela autora ao descobrir, após criar um filho por 36 anos, que ele não era seu descendente biológico possuem dimensão imensurável.

O juiz destacou ainda a dor permanente causada pela incerteza sobre o paradeiro do filho biológico — se está vivo ou se foi bem-criado —, além do abalo emocional provocado pela desestruturação da identidade familiar, configurando um sofrimento que se estenderá por toda a vida da mulher.

O processo judicial teve origem no próprio hospital onde ocorreu o parto. Na sentença, o magistrado ressaltou que documentos apresentados demonstram desorganização e fragilidade nos procedimentos adotados pela Santa Casa de Cajuru à época. Entre as falhas apontadas estão inconsistências graves no prontuário médico da paciente, como divergência nos números de registro de internação, anotações com idades diferentes (20 e 22 anos) e até classificação distinta de etnia (parda e branca) para a mesma pessoa em fichas diferentes.

Além disso, foi destacado que o hospital admitiu que o método de identificação dos recém-nascidos consistia apenas em uma pulseira feita de esparadrapo, com o nome da mãe escrito manualmente.

Durante o processo, a Santa Casa alegou que a troca pode não ter ocorrido dentro de suas dependências e afirmou que a mulher, identificada como Fátima, inicialmente registrou uma criança do sexo feminino, fazendo correção posteriormente.

Em nota divulgada após a decisão, proferida no dia 2 de outubro, a Santa Casa de Cajuru informou que irá recorrer da sentença e que só se manifestará após a análise do recurso.

(Metrópole)

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