As ações da Alpargatas, empresa proprietária da Havaianas,
registraram queda nesta segunda-feira (22) nas negociações da B3, em meio à
polêmica política envolvendo a marca nas redes sociais. Por volta das 13h, os
papéis recuavam cerca de 1,37%, após atingirem perdas de até 3% mais cedo na
manhã.
O episódio começou quando políticos e grupos conservadores
criticaram a nova campanha da Havaianas, que escolheu a atriz Fernanda Torres
como garota-propaganda. No vídeo, a atriz fala sobre suas expectativas para o
próximo ano e faz uma brincadeira com a expressão “pé direito”:
“Desculpa, mas eu não quero que você comece 2026 com o pé
direito. Não é nada contra a sorte, mas vamos combinar… a sorte não depende de
você. O que eu desejo é que você comece o ano novo com os dois pés, os dois pés
na estrada na porta, os dois pés na estrada, os dois pés na jaca, os dois pés
onde você quiser.”
O conteúdo foi interpretado por grupos conservadores como
um posicionamento político, motivando pedidos de boicote à marca. Entre os
críticos, Eduardo Bolsonaro disse que considera um dos produtos da Havaianas
“um símbolo nacional”, mas repudiou a escolha de Torres, que, segundo ele, é declaradamente
de esquerda. Em vídeo divulgado nas redes, o ex-deputado mostrou que
descartaria um par de sandálias da marca. Outros parlamentares, como Bia Kicis
(PL-DF) e Capitão Alberto Neto (PL-AM), reforçaram a campanha de boicote.
Em resposta às críticas de opositores, deputados da base de
apoio à campanha também se manifestaram a favor da marca. O deputado Paulo
Pimenta (PT-RS), ex-ministro da Comunicação Social, afirmou que pretende
comprar novos produtos da marca para o Natal e presentear familiares,
destacando:
“Quem é brasileiro sabe o que é bom. Ainda estamos aqui,
Fernanda Torres! Democracia é valor que não se negocia!” Outros parlamentares,
como Rogério Correia (PT-MG) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS), também se
posicionaram em defesa da Havaianas.
Diante da repercussão negativa, a empresa optou por apagar
o vídeo de suas redes sociais, atitude que analistas do mercado interpretam
como reconhecimento de que a ação de marketing gerou reação adversa.
Apesar de o conteúdo da campanha ter caráter institucional
e conceitual, o episódio elevou a percepção de risco reputacional da marca,
provocando uma reprecificação pontual das ações no curto prazo. Movimentos
desse tipo são comuns em períodos de menor liquidez e, embora impactem o preço
das ações momentaneamente, nem sempre refletem mudanças estruturais nos
fundamentos da empresa.
Até o momento, a Havaianas não se pronunciou oficialmente
sobre a reação do mercado. Investidores seguem atentos, avaliando se os efeitos
da polêmica permanecerão restritos ao curto prazo ou se poderão afetar de forma
mais ampla a marca e os resultados da companhia.
(Fonte: Direita
Online / Foto: divulgação)
